Não sei de que forma viver e nem sei se quero aprender. A vida é maquiada, e em nada corresponde às minhas expectativas. Alguém disse certa vez: "se o coração pensasse ia querer parar de bater", talvez fosse até mais difícil, mas são palavras, e estas, passíveis de interpretação.
Quero garimpar uma música que eu ouça e me faça viver, sempre que esta angústia me tomar, e que alguma sensação ainda que dolorosa mas restauradora me faça renascer. Um som que tire meus pés do chão sem me fazer pular, e me faça sentir acolhida pela suposta realidade que me cerca, pelo menos por um tempo.
Que a melodia se assemelhe a um narcótico que aguce os ouvidos, a pele, a alma, sem interferências, sem escrúpulos, sem dó. Do que me fere não pretendo o cessar de lágrimas, não por hoje, e como não sei do amanhã, os olhos amanhecerão inchados.
De que forma viver? Não sei que cabelo e roupas usar, para que me aceitem; que palavras proferir, e em que tom, para que me ouçam com atenção; que pensamentos e ideias tortas devo guardar pra que não se magoem.
Só sei do rascunho de mim, de respirar, de ouvir o coração bater, no silêncio do meu quarto.
Acho que penso , ou (in)penso, e num turbilhão de sensações mergulho todas as noites nos meus sonhos(e pesadelos), nunca na realidade, que esta é passível de dor maior, me transmitindo idem.
Não sei dos outros, não sei do amanhã, nem do hoje; Não sei de mim, não sou hipócrita, mas sobrevivo pelo que sinto, transbordando imperfeição, ilusão e vontade... e quem sabe de alguma forma num futuro próximo eu venha-a-ser sob um determinado aspecto.
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