Antes da noite morrer
permaneço na cama silenciosa
olhos abertos
percebo a luz da lua
refletida na minha janela

antes do dia nascer
perambulo pelo quarto
e aguardo ansiosa
a primeira claridade tímida
ainda por de trás
das nuvens rosadas
do céu de outono

Tão doloroso acordar (ás vezes)
mesmo que acusem de blasfemia
tal afirmação
como se eu retrucasse
uma condição divina
dada de presente
a todo ser errante

ainda seguem os dias
e as noites...
e ando meio sem rumo
esperando que o inconsciente
transpareça possibilidades
num ato de existir.

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