Pra hoje eu esperava mais.
Numa véspera de ansiedade, mãos frias,
ás vezes tremo, mas sem sangue frio.
Devo ter confundido as coisas, mas devo compreender
que das minhas expectativas, só eu sei, mesmo que histérica e melancólica.
Vai passar até o fim do dia, precisamente diante da efêmera tarde alaranjada.
Guardei o vestido no armário, retirei o brilho labial e
em trajes íntimos deixei meus pés descalços
na ardósia fria da varanda, acompanhada de caneta e papel,
um maço de cigarros, e um toca-discos.
Há muito deixei as compreensões que motivam minha solidão.
Incompreendo tanto amor que sufoca de dentro pra fora
numa ânsia de catarse e destino possível
Não há como em nada pensar, então atento ao que restou de mim por hoje:
a tarde, o céu de nuvens carregadas, a brisa que me conforta aqui e agora,
num momento torto e sem sentido...
mas reafirmo,
vai passar.
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